Participar do HIMSS 2024 – Building the Future of Health IT trouxe um recorte prático do que já está em execução nos ecossistemas mais avançados de TI em saúde (Health IT). A visita ocorreu junto à comitiva da Associação Brasileira de CIOs da Saúde (ABCIS), com o objetivo de identificar tendências aplicáveis ao contexto brasileiro, com impacto direto em operação, compliance e experiência de pacientes e beneficiários.
Por que o HIMSS 2024 é relevante para o Brasil
O evento aprofundou como organizações de saúde estão reorganizando processos clínicos e administrativos com base em três pilares operacionais:
- decisões suportadas por dados em tempo mais próximo do real
- redução de atrito em fluxos de atendimento e backoffice
- governança de integração e segurança, dado o aumento do risco cibernético no setor
Esses pilares orientam investimentos em soluções que conectam jornadas (paciente, beneficiário e prestador) com menos fragmentação de informação entre sistemas.
Principais tendências observadas no HIMSS 2024
1) Inteligência Artificial aplicada ao diagnóstico e apoio à decisão clínica
A IA aparece como acelerador de produtividade e qualidade em frentes como:
- apoio à identificação de padrões em exames e sinais clínicos
- suporte à decisão com base em histórico e dados contextuais do paciente
- priorização de casos e triagens mais eficientes em ambientes com alta demanda
Para times de TI e inovação, a implicação prática é a necessidade de definir governança de dados (fontes, qualidade, rastreabilidade e auditoria) antes de ampliar o uso de modelos em escala.
2) Automação de tarefas administrativas
O ganho operacional mais recorrente está na automação de rotinas que pressionam custo e SLA, incluindo:
- abertura, classificação e encaminhamento de demandas
- atualização de status e comunicação proativa com o paciente
- consolidação de históricos e registros para reduzir retrabalho
Na prática, automação bem implementada depende de desenho de processo, integração com sistemas legados e métricas claras (tempo médio, abandono, recontato e resolutividade).
3) Personalização do cuidado e planos de tratamento
A personalização vem acompanhada de foco em eficiência de recursos e desfechos. O movimento observado envolve:
- estratificação de pacientes por risco e perfil de necessidade
- protocolos adaptáveis que combinam diretrizes clínicas e contexto individual
- acompanhamento contínuo com dados de interação e telemonitoramento
Essa abordagem aumenta a exigência por integração de dados clínicos e de relacionamento, evitando que preferências e histórico fiquem espalhados em múltiplas ferramentas.
4) Interoperabilidade e segurança de dados em saúde
Interoperabilidade foi tratada como condição para continuidade do cuidado, redução de lacunas de histórico e melhor coordenação entre áreas e organizações.
Patrícia Hatae resumiu o efeito esperado: “Isso permitirá que os profissionais envolvidos tenham uma visão completa do histórico médico do paciente, o que pode levar a um melhor atendimento.”
Do ponto de vista de execução, o tema avança junto de segurança por um motivo direto: quanto maior o fluxo de dados entre sistemas, maior a superfície de risco. O evento reforçou prioridades práticas:
- políticas de acesso e identidades com menor privilégio possível
- controles para reduzir impacto de incidentes (segmentação, backup, resposta)
- treinamento recorrente para reduzir vulnerabilidades humanas (phishing e engenharia social)
5) TeleSaúde e Saúde Virtual com foco em escala e continuidade
O crescimento de telesaúde segue forte, com destaque para:
- uso ampliado de videochamadas em consultas e acompanhamentos
- aplicativos com utilidade operacional (agendamento, lembretes, orientações)
- telemonitoramento para reduzir custo assistencial e ampliar cobertura
O ponto operacional mais relevante observado no HIMSS 2024 é a necessidade de integrar telesaúde ao restante da jornada, evitando um “canal isolado” sem histórico e sem conexão com processos internos.
Implicações práticas para líderes de Saúde, TI e CX
A partir das tendências, algumas decisões ficam mais objetivas para 2024–2026 em organizações brasileiras:
- Mapear jornada e dados críticos: onde o histórico se perde, onde há recontato e onde o paciente abandona o fluxo.
- Priorizar integrações com governança: interoperabilidade com regras claras, logs e trilhas de auditoria.
- Automatizar com metas de operação: definir quais SLAs e custos devem cair, antes de escolher tecnologia.
- Planejar segurança como requisito de produto: incorporar controles desde o desenho, principalmente em iniciativas com IA e dados sensíveis.
- Conectar canais digitais ao atendimento humano: histórico unificado para reduzir repetição, ruído e transferência desnecessária.
Aplicação no contexto brasileiro: tecnologia como suporte ao atendimento
O retorno do HIMSS 2024 reforçou uma direção prática para projetos de transformação em saúde: investir em tecnologia que aumente a capacidade do atendimento humano, reduza atrito nos processos e produza dados acionáveis em escala.
No caso do ecossistema de saúde suplementar e hospitalar, isso se traduz em iniciativas que unificam comunicação, histórico e gestão de demandas em múltiplos pontos de contato, com atenção a privacidade e segurança.
Perguntas para orientar o planejamento interno
- Quais etapas da jornada do paciente têm maior recontato e maior tempo de espera hoje?
- Onde os times perdem histórico por fragmentação de sistemas e canais?
- Quais processos administrativos já têm volume e padrão suficientes para automação segura?
- Quais integrações são necessárias para telesaúde funcionar como continuidade do cuidado?
- Quais controles de segurança são obrigatórios antes de ampliar uso de IA com dados sensíveis?
HIMSS 2024: projetos com governança e métricas
O HIMSS 2024 evidenciou uma aceleração consistente em IA na saúde, automação, interoperabilidade e saúde virtual. Para organizações brasileiras, a oportunidade está em transformar essas tendências em projetos com escopo controlado, métricas operacionais e governança de dados, garantindo evolução com segurança e consistência clínica.
O que você considera mais prioritário no curto prazo: automação administrativa, interoperabilidade, telesaúde integrada ou casos de IA aplicados ao cuidado?
Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é o HIMSS?
É um dos principais eventos globais de Health IT, com foco em tecnologia, gestão, dados e inovação para o setor de saúde.
Quais foram as principais tendências do HIMSS 2024?
IA aplicada ao diagnóstico e apoio clínico, automação administrativa, personalização do cuidado, interoperabilidade com foco em histórico unificado, segurança cibernética e expansão de telesaúde/saúde virtual.
Por que interoperabilidade é importante na saúde?
Porque reduz perda de histórico, melhora coordenação do cuidado e dá visibilidade para equipes multidisciplinares, desde que exista governança de acesso e segurança.
Como a telesaúde evoluiu no HIMSS 2024?
Com foco em continuidade do cuidado, integração com sistemas e maior uso de telemonitoramento para escala e eficiência.




